segunda-feira, 27 de abril de 2009

Nos apropriamos das coisas a ponto de cabermos em todas elas, sermos pedacinhos disseminados, estarmos dentro de algum todo ou de algo que dê um mínimo de autenticidade às nossas decisões, nem isso, simplesmente comunique a outros a decisão da roupa, a decisão da atitude, a decisão de ser e estar - a 'aparência da minha humaneza', por assim dizer. Precisamos caber em nossas escolhas quase que instantaneamente tomadas e cobramo-nos por isso, precisamos caber em nossas "razões", muitas vezes planificadas. Quer dizer, precisamos? Quando se está emoldurado, padronizado, creio que sim. Não que seja uma necessidade real, mas talvez consciência se manifestando, enfim.

Há fórmulas e fórmulas que representam praticamente tudo o que diz respeito ao homem, tudo que já foi constatado através de expressões artísticas, estudos, vivência, enfim, tudo que lhe cabe como medida, e nos equivalemos, comumente, a jargões do que supostamente somos. Além de identificação, idéias em comum, condicionamo-nos muitas vezes a seguir obstinadamente esses "documentos". Uma espécie de religião, mais uma. Assim, acabamos por descobrirmo-nos a descoberta de outros. Imitamos a realidade que enxergamos, a vida que queríamos ter. Tornamo-nos um patrimônio de nós mesmos, um mito, uma cópia do que se passa em nossa própria realidade quentinha. Ou não? Às vezes acho sim.

E sobre as decisões... não sei, esses dias uma abelha rainha, hehe, estava dizendo na tv que, por exemplo, um moleque jogando vídeo-game. Ele precisa decidir instantaneamente, sem o menor tempo para pensar, ponderar. Faz sentido... por isso caber em nossas escolhas, pra nos cabermos, não nos tornarmos desumanos, produtos.

Sei lá, de uma única perspectiva...


O que acham?

4 comentários:

mauricio-caetano disse...

é bem por ai cara, exatamente por ai, eu acho daqui...

Paulo Yama disse...

Tem o pessoal que tenta se apoiar na não-fórmula... coitados, mal sabem que ela também é formalizada.

Bom, de ilusão também se vive... ou, talvez, só é possível viver de ilusão.

Aliás, a gente tem ansiedade pra ter personalidade e opinião própria, almejando uma autonomia. Mas que puta que pariu!, isso só nos limita!

Talvez o cara mais livre seja aquele indeciso, que não sabe o que quer, o inseguro, o sem iniciativa, o que não sabe distinguir as coisas, mas o mundo está pronto pra ignorá-los, pra colocá-los mendigando nas ruas ou no manicõmio. O mundo educa muito bem suas crianças.

Sei lá pq eu escrevi tudo isso...

Paulo Yama disse...

é bem por ai cara, exatamente por ai, eu acho daqui... [2]

CARLOZ disse...

não existem receitas para o comportamento humano. mas as pessoas precisam de receitas ?